Terça-feira, Junho 06, 2006

A roda da fortuna


A misericórdia da vitória
A vitória da misericórdia

Terça-feira, Janeiro 10, 2006

Chorarei

Chorarei, mas não penses que será por reles humanos mortais.
Se hei de chorar, será unicamente por mim.
Chorarei pela minha alma que descansa em meu corpo.
E pelo meu corpo que descansa minha alma.

Chorarei pelo sangue quente que corre desvairadamente em minhas veias
E pelas minhas veias que trilham impiedosamente o caminho carnal
Chorarei pelos meus paradoxos e inconstâncias
E pelas minhas angústias e decepções

Mas chorar por ti, jamais!

Terça-feira, Dezembro 27, 2005

fitas

Delicadas e leves fitas,
Prendem-me mais que
Fortes e pesadas correntes!

Sexta-feira, Dezembro 23, 2005

Concordo com o velho poeta

Concordo plenamente com o virtuoso Camões quando cita os versos: “(…) amor é um contentamento descontente”. Aliás, não só o amor, mas todos os fatores que motivam o ser humano a se mover tornam-se de uma maneira ou de outra um contentamento descontente. Situações paradoxais são eternamente postas em nossas vidas para serem resolvidas ou não. Terem algum sentido, ou não. Terem uma lógica cabível, ou não.
Seria mais conveniente tanto para o escritor quanto para o leitor algo compreensível. Algo compreensível levaria a fama ao autor, e ao gosto do leitor. Porém pode levar a depressão e o vácuo ao autor. Algo incompreensível levaria a miséria ao seu escritor, e o descontentamento e arrependimento do leitor. Porém pode levar alegria e preenchimento ao escritor. Portanto o texto deve ser compreensível e incompreensível, deve levar tanto a satisfação quanto o arrependimento, tanto o contentamento quanto o descontentamento.
Por isso concordo com o velho poeta quando fala em linhas paradoxais seu sentimento pelo amor, e concordo comigo quando falo dos meus sentimentos pela literatura, paradoxos.
(As palavras acima podem tornar-se labirinto para aqueles que ainda não compreenderam seus próprios paradoxos, ou para aqueles que já compreenderam.
Quem sou eu para dizer qual grupo vai entender ou não, se tudo é paradoxo?)

Domingo, Dezembro 18, 2005

O violinista

Era uma vez um grande violinista chamado Paganini. Alguns diziam que ele era muito estranho. Outros, que era sobrenatural. As notas mágicas que saim de seu violino tinham um som diferente, por isso ninguém queria perder a oportunidade de ver seu espetáculo.
numa certa noite, o palco de um auditório estava repleto de admiradores, preparados para recebê-lo. A orquestra entrou e foi aplaudida. O maestro foi ovacionado. Mas quando a figura de Paganini surgiu, triunfante, o público delirou. Paganini coloca se violino no ombro e o que se assiste a seguir é algo indescritível.
Breves e semibreves, fusas e semifusas, cocheias e semicocheias, parecem ter asas e voar com o toque daqueles dedos encantados. De repente, um som estranho interrompe o devaneio da platéia. Umas das cordas do violino de paganini arrebenta. O maestro parou. Mas paganini não parou.
Olhando para sua partitura, ele continua a tirar sons deliciosos de um violino com problemas.
O maestro empolgados voltam a tocar. Mal o público se alcamou quando um outro som pertubador derruba a atenção dos assistentes.
Uma outra corda do violino de paganini se rompe. O maestro parou de novo. A orquestra parou de novo. Paganini não parou.
Como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldades e avançou tirando sons do impossível. O maestro e a orquestra, impressionados, voltam a tocar. Mas o público não poderia imaginar o que iria acontecer a seguir. Todas as pessoas pasmam, gritam "Oohhh", que ecoou pela abobadilha daquele auditório. Uma terceira corda do violino se quebra.
O maestro pára. A orquestra pára. Como se fosse um contorcionista musical, ele tira sons da única corda que sobrara daquele violino destruído. E nenhuma nota foi esquecida. O maestro, empolgado, se anima. A orquestra se motiva. O público parte do silêncio para o delírio.
Paganini atinge a glória. Seu nome corre atravéz do tempo. Ele não é apenas um violinista genial. É o simbolo de um profissional que continua diante do impossível.

sol


gostaria de mergulhar nesse mar....

Mortas

INEXORÁVEL

Ó meu amor que já morreste,
Ó meu amor que morta estás!
Lá na cova a que desceste
Ó meu amor, que já morreste,
Ah! nunca mais florescerás?
Ao teu esquálido esqueleto,
Que tinha outrora de uma flor
A graça e o encanto do amuleto
Ao teu esquálido esqueleto
Não voltará novo esplendor?

Vícios

VAGABUNDO
Eu durmo e vivo ao sol como um cigano,
Fumando meu cigarro vaporoso;
Nas noites de verão namoro estrelas;
Sou pobre, sou mendigo e sou ditoso!
Ando roto, sem bolso nem dinheiro;
Mas tenho na viola uma riqueza:
Canto à lua de noites serenatas,
E quem vive de amor não tem pobreza.
Tenho por palácio as longas ruas;
Passeio a gosto e durmo sem temores;
Quando bebo, sou rei como poeta,
E o vinho faz sonhar com os amores.